“PROMETO LHE FAZER FELIZ”

13/11/17


De alguma forma, por alguma razão, nós acreditamos que temos, enquanto indivíduos, o direito de ser feliz. Não há nada e nem ninguém que tire isso da nossa cabeça. 

Baseados nessa premissa, acreditamos que paira sobre nós o dever de agir em tudo o que estiver ao nosso alcance para fazer valer esse nosso direito e assim conquistar essa tal felicidade. 

Todos os dias tomamos decisões, decisões de menor ou maior importância. Durante toda a nossa vida tomamos decisões na busca de alcançar e preservar essa satisfação pessoal tão desejada. 

Entre as inúmeras decisões que tomamos no decorrer da vida, a decisão de casar-se é, certamente, uma das mais relevantes, porque acreditamos que o casamento é um ambiente projetado e idealizado para a ampliação da nossa zona de conforto e felicidade. 

Você já foi a uma festa de casamento? Já prestou atenção aos detalhes? No dia do casamento o movimento é intenso: fotógrafos vem e vão em busca do melhor ângulo; cinegrafistas posicionam câmeras e holofotes; a decoração está caprichada. Os cerimonialistas estão atentas a tudo e a todos. Os nubentes estão deslumbrantes; padrinhos, pajens, pais e convidados estão impecavelmente vestidos. Tudo como manda o figurino. 

Em meio à cerimônia, já no ponto alto, todos se voltam para ouvir e testemunhar as promessas de fidelidade, dedicação e amor eterno. Tudo se sintetiza numa pequena, mas significativa frase: “Prometo lhe fazer feliz”. Eis a confissão pública de que ambos se comprometem em fazer o 'outro' feliz.

Essa declaração seria maravilhosa e dignificante se não fosse feita por gente imatura, despreparada, egoísta e altamente compromissada com a própria realização pessoal.

Sinceramente, mesmo que diante do padre, do pastor, do rabino ou de quem quer que seja, se diga que a razão pela qual se casa é fazer o 'outro' feliz, todos sabemos que não é bem assim. A razão principal para abrir mão da ‘solteirice’ e se comprometer numa relação a dois é a busca incessante do alargamento da zona de conforto e felicidade. 

Quando entramos numa relação com esse tipo de atitude, certamente vamos nos deparar com três problemas específicos: primeiro, a frustração - a frustração de não encontrar no outro a materialização das nossas expectativas. Depois vem o confronto – o confronto que nasce da tentativa insistente e descabida de fazer com que o outro se amolde, se ajuste aos nossos imaturos caprichos. E, por fim, as crises – que surgem quando todas as tentativas de subordinar o outro aos nossos padrões não surtem o efeito desejado. 

Como o casamento é problemático, diriam alguns. Ora, não é difícil perceber que o problema não está no casamento propriamente dito e sim, na equivocada idealização que se atribui ao casamento. 

Diante disso tudo, meu desejo é que reavaliemos o nosso modo de ver a vida conjugal e assim enxerguemos o casamento, não como um ambiente onde nossa felicidade e realização pessoal é o alvo a ser atingido, mas sim, o ambiente que Deus desenhou para que aprendêssemos a amar para além de nós, que aprendêssemos a amar o outro. Que nos dediquemos ao casamento como quem tem na maturidade a sua finalidade última. 

Lembre-se: pessoas amorosas e maduras são, de fato, felizes.

Pr. Isaias Silva

Compartilhar: