JÁ ESTAMOS NA PRIMAVERA? QUE DIA É HOJE?

08/7/16

O primeiro desabrochar da Primavera se deu em Praga – antiga capital da Tchecoslováquia.
A Primavera de Praga foi a tentativa de liberalização política na Tchecoslováquia durante a época de sua dominação pela antiga União Soviética após a Segunda Guerra Mundial.

As reformas da Primavera de Praga foram uma tentativa do reformista Alexander Dubček, aliado a intelectuais tchecoslovacos, de conceder direitos adicionais aos cidadãos num ato de descentralização parcial da economia e de democratização. As reformas concediam também um relaxamento das restrições às liberdades de imprensa, de expressão e de movimento e ficaram conhecidas como a tentativa de se criar um “socialismo com face humana”.

As reformas não foram aceitas pelos soviéticos que, enviaram tropas e tanques para ocupar o país. Apesar de ter havido inúmeros protestos pacíficos no país, inclusive o suicídio de um estudante, não houve resistência militar. A Tchecoslováquia continuou ocupada até 1990.

O segundo desabrochar da Primavera se deu na República Tunisina - país da África do Norte que pertence à região do Magrebe.

A Primavera Árabe se desencadeou após o suicídio, em protesto contra a corrupção policial e maus tratos, de Mohamed Bouazizi. Os protestos tomaram as ruas de todo o país. 

Com o sucesso dos protestos na Tunísia, uma onda de instabilidade atingiu a Argélia, Jordânia, Egito e o Iêmen, com as maiores, mais organizadas manifestações que ocorrem em um "dia de fúria".

As manifestações resultaram na derrubada de três chefes de Estado: o presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, fugiu para a Arábia Saudita, na sequência dos protestos da Revolução de Jasmim; no Egito, o presidente Hosni Mubarak renunciou após 18 dias de protestos em massa, terminando seu mandato de 30 anos; e na Líbia, o presidente Muammar al-Gaddafi, morto em tiroteio após ser capturado no dia 20 de outubro e torturado por rebeldes, arrastado por uma carreta em público, morrendo com um tiro na cabeça. Durante este período de instabilidade regional, vários líderes anunciaram sua intenção de renunciar: o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, anunciou que não iria tentar se reeleger em 2013, terminando seu mandato de 35 anos. O presidente do Sudão, Omar al-Bashir também anunciou que não iria tentar a reeleição em 2015, assim como o premiê iraquiano, Nouri al-Maliki, cujo mandato termina em 2014, embora tenha havido manifestações cada vez mais violentas exigindo a sua demissão imediata. Protestos na Jordânia também causaram a renúncia do governo, resultando na indicação do ex-primeiro-ministro e embaixador de Israel, Marouf Bakhit, como novo primeiro-ministro pelo rei Abdullah.

O terceiro desabrochar da Primavera está se dando na República Federativa do Brasil - país da América do Sul.

São Paulo, a maior e mais rica cidade do país, foi sacudida por protestos após o anúncio do aumento da tarifa do transporte público. O Movimento Passe Livre, através das redes sociais, puxou as manifestações. 

Numa clara crise de representação - partidos, sindicatos e diretórios estudantis não conseguiram o seu espaço na tentativa de representar parte da população. O movimento se declarou apartidário.

Mesmo sendo atendida a reivindicação inicial do grupo, a redução da tarifa de transporte público, as manifestações continuam. O aumento das tarifas de transporte foi o pretexto para lutar por uma sociedade mais justa. "Ao todo, mais de 240 mil cidadãos, sem nenhum líder visível, nem nenhuma organização dominante, clamaram contra a má gestão do transporte, a corrupção e a violência policial, dentre outras questões".

As enormes manifestações se alastraram por todo o país, pegando a todos de surpresa, mas talvez não devesse ser o caso, pois é clara e evidente a distância enorme que há entre as promessas dos políticos de esquerda que governam o país e a realidade do dia a dia dos brasileiros.

O Banco Mundial coloca o Brasil como a sétima maior economia do mundo. Ao mesmo tempo, o país fica entre os piores colocados na distribuição de renda e em rankings de educação. 

Não é surpresa que o aumento das tarifas de ônibus tenha gerado uma insatisfação generalizada da população que paga cada vez mais impostos. Também não é surpresa a decepção das pessoas com os altos gastos para reformar ou construir estádios para a Copa do Mundo em um país carente de melhorias na educação e na saúde.
As manifestações desta semana expressam uma revolta crescente da população com relação às prioridades de gastos do governo e má qualidade de serviços públicos.

PEDRAS FALANTES?

E a igreja? Como se portará diante de fatos tão alarmantes? Calada?

Nos últimos meses a Igreja no Brasil elegeu um único pecado como pecado e o colocou na alça de mira – o homossexualismo. 

Todos sabem que pecado é pecado. Contudo, buscamos eleger alguns em detrimento de outros. Falamos tanto sobre homossexualismo e tão pouco em corrupção, será por quê? As Convenções Denominacionais que nos digam.

Pergunto-me: onde estão os profetas televisivos? Onde estão os videntes midiáticos? Onde estão as irmãs de coque na cabeça e uma língua estranha nos lábios? Afinal, não é esta a função explicitada dos tais nas páginas das Escrituras? Se antecipar aos fatos e anunciar com vigor os desígnios do Altíssimo à nação?

Estou temeroso. Meu temor é que a Igreja continue respondendo perguntas cujas respostas a ninguém mais importa. Meu temor é que estejamos perdendo o nosso viés profético. Meu temor é que a vozes das ruas aumentem na mesma proporção que as vozes dos púlpitos diminuem. 

Pergunto-me: Onde estão os “João-Batistas”? O que faz com os púlpitos se calem? Afirmo: se João Batista se sentasse à mesa de Herodes, bebesse do seu vinho e se vestisse com suas roupas não poderia, com o dedo em riste, apontar o pecado do governador. Talvez seja essa a resposta para o silêncio irresponsável.

Como Igreja, acredito que cabe a nós não permitirmos que nenhuma pedra clame em nosso lugar. 

Simples assim.

Pr. Isaias Pereira da Silva

Presidente da Igreja Batista da Paz

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