QUANDO AS COISAS DÃO ERRADAS

08/7/16

Mesmo correndo o risco de ser mal interpretado e, como consequência, taxado como um miserável insensível, compartilharei algumas das minhas inquietações.

A tragédia da boate Kiss em Santa Maria-RS já conta com um saldo parcial de pelo menos 248 mortos e mais de 100 feridos. Esses números colocam essa tragédia como o segundo maior incêndio da história do Brasil. 

Todos estão sensibilizados, até mesmo o site de busca Google demonstrou sua solidariedade para com as famílias enlutadas. A tragédia estampou os maiores tabloides do mundo. Como tudo isso me causa espanto.

Uma das causas do meu espanto é o fato de milhares de pessoas morrerem todos os dias por motivos banais e não nos sensibilizarmos com isso. Exatamente agora estão morrendo milhares de pessoas nos corredores dos hospitais por omissão de socorro, outros morrendo mesmo tendo socorro; morrendo nas vielas lúgubres das favelas espalhadas por todo o mundo; morrendo à bala, morrendo à insensibilidade governamental, morrendo. A morte em si já é uma tão grande tragédia!

Causa-me espanto não perceber ninguém se solidarizando em orações e súplicas com as mães sírias – mais de 60.000 mortos, com os pais Malis cujos filhos são mortos em nome de uma jihad islâmica, ou com os pobres familiares dos que lotam as cracolândias do Brasil.

Ainda assim, há um tipo de morte que me causa um espanto ainda maior. As Escrituras me abrem os olhos para o fato de que boa parte dos jovens “estão mortos em seus delitos e pecados”. A juventude vive enchendo os pulmões com a fumaça da incredulidade e exalando desobediência. 

A humanidade caminha como sempre caminhou: se divertindo, se casando e se dando ao divórcio, frequentando boates e bares noturnos, saindo e chegando, trabalhando e estudando, se acasalando, se bastando, mas, estão “mortos”. Se o Apóstolo Paulo pudesse fazer uma análise sócio-espiritual dos nossos dias ele certamente diria que nós continuamos atolados na velha vida podre de pecado, inclusive permitindo que, o mundo que não sabe nada da vida, nos diga como viver. A impressão que tenho é de para muitos a morte só é morte se for física e aqui do lado, parede e meia.

Não consigo compreender as razões pelas quais pedidos de orações se multiplicam a fim de que aja uma intervenção de Deus no sentido de aplacar a dor dos familiares. 

Não ignoro a dor, nem tão pouco faço pouco do muito sofrimento que uma tragédia como essa é capaz de impor à sociedade, contudo a relação entre essa sociedade e Deus mais uma vez se mostra utilitarista. O buscamos apenas quando as coisas não saem como planejamos. 

A verdade é que vivemos do nosso modo e fizemos da vida um grande baile sem nos importarmos com a vida que verdadeiramente deve ser vivida – a que Jesus nos presenteou. 

Conclusão: Ninguém se deu ao trabalho de perguntar a Deus qual o sentimento que o permeia ao ver a humanidade, por ele tão amada, vivendo uma vida de morte - separada e alienada do Seu tão grande amor. Talvez você e eu pudéssemos começar nossa oração solidária, solidarizando-nos primeiramente com Deus e depois com as famílias enlutadas.

Que Deus console a todos, inclusive a Si mesmo.

E tenho dito.

Pr. Isaias – enlutado, solidarizado, mas não entorpecido.

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