O Recomeço - É preciso aprender a ver o invisível

08/7/16

O chamado de Abraão é um texto bíblico (Gn.12:1-9) que me fascina! Deus, o Criador e Senhor de todas as coisas, procura um homem: Um mortal, limitado e simples homem, em muito semelhante a tantos outros que perambulavam a Terra. Encontrando-o com facilidade (já que este homem tinha prazer em estar por perto de seu Criador), Deus lhe apresenta uma proposta que consistia em algumas etapas. Abandonar sua terra natal, sair da proximidade daqueles que lhe ofereciam conforto e segurança, caminhar na direção do desconhecido. Ao aceitar tal proposta, Abraão deposita toda a sua confiança naquele que o chamou. Mesmo sem conhecer o plano completo, Abraão investe sua vida nele. A história que segue é repleta de altos e baixos, acertos e desacertos, incertezas, sofrimento, angústias, caminhadas que pareciam não ter fim mas, ao final, o plano de Deus se cumpre e uma grande nação é formada. E não uma nação qualquer, mas a nação de onde brotaria o renovo anunciado por Isaías (Is.11:1).

Observe o leitor o contexto histórico do chamado de Abraão: três ou quatro páginas atrás, está descrito o Grande Dilúvio, onde a humanidade foi praticamente exterminada. Quando Deus procura Abraão, portanto, está organizando um grande recomeço. Novos povos precisam ser formados, novas nações, novas culturas e aprouve a Deus eleger um homem para colocar em marcha o processo do recomeço. Nenhum recomeço é fácil. Os desafios presentes no ambiente da destruição são terríveis e dolorosos. Vide os acontecimentos recentes nas Serras do Rio de Janeiro. Cidades terão que ser reconstruídas, famílias terão que ser recompostas da tragédia, vidas e mais vidas que não foram ceifadas pela catástrofe terão simplesmente que recomeçar. É assim desde que o mundo é mundo. Histórias terminam, ciclos se fecham às vezes de modo doloroso, mas a vida segue...e é preciso recomeçar.

O desafio lançado por Deus a Abraão, além de desconectá-lo com seu passado, exigia dele duas posturas fundamentais: Era preciso CRER naquele que o chamava e era preciso VER, ainda que no futuro nebuloso, a esperança de dias melhores. Se não tivesse aprendido a ver o invisível, o homem conhecido como Pai da Fé, não teria se lançado em um projeto tão audacioso! Não teria encerrado seu ciclo de vida na terra de seus pais e não teria sido tão próspero em seu recomeço.

Como cristãos, somos chamados a participar do recomeço da eternidade! Cristo virá e, quando vier, levará para as moradas eternas um povo escolhido, aqueles que creram nEle. E como partícipes desse grandioso recomeço, é nosso privilégio enxergar além e ver o invisível, aquilo que olhos humanos não conseguem ver.

Em nossa marcha com destino à Jerusalém Celestial, não serão poucas as vezes em que teremos que exercitar a fé e a capacidade de ver o invisível, crer naquilo que ainda não se pode ver, tocar uma realidade que ainda não está ao alcance das mãos. Caminhamos muitas vezes na direção do desconhecido, mas confiamos naquele que nos chamou a caminhar.

Vamos em frente?  

Pr. Jairo Ishikawa

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